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sábado, 30 de abril de 2011

As crianças morrem quando as virgens são defloradas. Mas sempre há um vestígio.


Ela: Oi... Eu disse "Oi"!

Ele: (Sem olhar para Ela) Oi.

Ela: Pode me informar as horas?

Ele: Vinte pra meia noite.

Ela: ah, tá cedo... Você está sozinho?

Ele: É o que parece, não?

Ela: (Dá um sorriso amarelo, entre sem graça e simpática)è...eu estava te reparando...

Ele: (Olha para Ela com ar blasé, volta a olhar para o nada)Hum...(bebe)

Ela: (Olha para a mesa) Você tem cigarros.

Ele: Tenho.

Ela: Posso pegar um? (esticando o braço para fazê-lo)

Ele: Não.

Ela: (retraindo o braço, como um choque. Está sem graça) Não?! Porquê? Olha eu tenho cara de novinha, eu sei, todo mundo diz isso, mas eu fum...

Ele: Não. O cigarro é meu.

Ela: Mas o que custa me dar um cigarrinho só?! Você tem um maço cheio, um cigarro não vai fazer falta.

Ele: Vou fumar menos um por sua causa.

Ela: Nossa, que egoísta...

Ele: pior você, que além de ser uma criança chata, ainda não tem dinheiro e pede as coisas dos outros.

Ela: (revoltada mas cheia de tesão)Criança, é... (debruça na mesa, fica cara a cara com ele, circula a borda do copo com o dedo indicador) Que eu saiba criança que faz criança não é criança, gato. Me dá um cigarro, vai?

Ele: Não que-ro.

Ela: E se eu pegar a força?

Ele: Tenta a sorte, putinha.

Ela: (ri maliciosamente)Se eu quiser, eu pego. Pego o que eu quiser.

Ele: (ri contido) É?

Ela: Teus dentes são bonitos. Tem um sorriso bonito.

Ele: Foda-se.

Ela: Grosso!

Ele: Putimha. (pausa) Tem as unhas e boca pintada com vermelho carne e aparelho nos dentes, que não permite esquecer a idade que tem. Um fado. As crianças morrem quando as virgens são defloradas, mas sempre há um vestígio. Vai embora daqui.

Ela: Qual é a tua, cara? Você é maluco?

Ele: Anda, vai embora.

Ela: Tu é viado, né? Logo vi, esse jeitinho todo sé...

Ele: (Dá um beijo nEla, aperta sua bunda com uma mão e com a outra segura-a pelos cabelos) Agora vai embora.

Ela: (Sem fôlego) Nossa tu é tarado, isso sim.

Ele: Você ainda não viu nada...

Os dois riem juntos, um para o outro. Ele dá um cigarro para ela. Ela acende o cigarro vitoriosa. Traga, solta a fumaça na cara dele.




[continua...]

sábado, 15 de agosto de 2009

terça-feira, 11 de agosto de 2009

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

eu quero um teatro que funcione como marretada nas pernas tortas de um teatro também torto, forjado e sustentado por gente de tipo óbvio.Eu quero o novo. O teatro afiado. Que corta e sangra.