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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poema – não – poema [Sintaxe]

Boca voz verso
em mim atroz
Deságua
Foz
maré cheia- ressaca
engole o mundo
engasga palavra
descabida
vida que se tem arredia
vontade do absurdo
momento
insano de fazer poesia a carne
crua que se mantém viva a alma
errante
passos confusos
pensamentos infindos
problemas não
matemáticos
da vida que é minha por
excelência. Na adição
de subtração dos
valores
fra – ci -
o -
na -
dos
decomponho-me
nas escolhas que não tem raiz
exata
para encontrar
a sintaxe que este
poema – não – poema
está longe de
ter.


 

Será?


Será você um pássaro ou um avião?
Será você um bandido ou um herói?
Será você isto ou aquilo?
Será você uma música ou uma dança?
Será você oito ou oitenta?
Será você um doce engano ou um sonho bom?
Será você um fantasma ou a fada madrinha?
Será você o príncipe encantado, ou apenas uma página de um livro plano?
Será você meu espelho ou o antirreflexo?
Será você ou eu?





terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Você precisa saber.

Homem, Pra onde pensa que vai?
As coisas não são bem assim
Você não sabe o tempo de parar?
Voltar atrás não é desistir
Veja o que sua vida se tornou
Solidão, vazio e dor
Chega de mentir pra si
Dizendo que tudo vai bem
Tudo tá legal
Viver no caos não é natural
Pare agora com isso
Você está destruindo a si mesmo
Quando nega carinho
Quando diz não a um irmão que poderia ser você
larga essa arma
Essa guerra está fadada
A acabar com as esperanças de um mundo melhor
Discurso de tiros não faz de você um herói
Falsas promessas, politicagem, esse é o seu melhor?
Cruzar os braços diante da TV, diga, esse é o seu melhor?
Estar totalmente alheio a tudo, esse é o seu melhor?
Você precisa saber da fome, da violência
Da falta de assistência, do descaso
Do assalto a mão armada, da corrupção
Da má intenção, da crueldade
Da falta de liberdade, do aborto
Do mofo que cobre o seu corpo
Você precisa saber.
Eu não sei o que você está fazendo ou vai fazer
Mas você precisa saber.
Divino maravilhoso não está não
É bom colocar os pés no chão,
Meu irmão
Eu não sei o que você está fazendo ou vai fazer
Mas você precisa saber.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais um dia

O Sol, já frio, dá adeus e desce.

Suas costas fizeram o crepúsculo

Em instantes o azul ficou rubro

E neste mesmo compasso

A Lua imperou no Céu que de amor carece

E, por isso, baixinho, ele faz uma prece

Vê - se, então, uma gota de chuva

De seus túmidos olhos rolar

A Lua, complacente, alumiou

Seu coração de nuvem

Como se ali uma noite quisesse morar

Tendo o Céu correspondido

Fez de seu amante o mar

E esse amor dura o infinito

Até o Sol de novo raiar.

[30/05/07]

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Afirmativas:

Eu deixei o pássaro voar.
Eu bati as asas do pássaro.
Obriguei o pássaro a voar e
prendi-me na gaiola.
Pára todas as minhas
funções vitais com apenas
tua presença morena.
Pára todo meu pensamento
com apenas
teu sorriso sereno.
Pára toda minha vida
com apenas
tua partida sem volta.

E volta(!)?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sede agreste a boca, toma de todo
Bebe vontade no longe
com cabeça noutro lugar não-comum.
meu peito fundo.afogo
52- UM

Já não perto de mim está
E te vejo por detrás
Da névoa da memória
Que constrói-se toda vez
Em que sinto o teu sorriso
[no meu
Os teus gestos em mim
Como se tu não fosses uma
Eu, outro, mas nós
UM.
[30/03/08]
37- Poema – não – poema [Sintaxe]

Boca voz verso
em mim atroz
Deságua
Foz
maré cheia- ressaca
engole o mundo
engasga palavra
descabida
vida que se tem arredia
vontade do absurdo
momento
insano de fazer poesia a carne
crua que se mantém viva a alma
errante
passos confusos
pensamentos infindos
problemas não
matemáticos
da vida que é minha por
excelência. Na adição
de subtração dos
valores
fra – ci -
o -
na -
dos
decomponho-me
nas escolhas que não tem raiz
exata
para encontrar
a sintaxe que este
poema – não – poema
está longe de
ter.
[12/09/07]

sábado, 27 de setembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

“O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.” Grande sertão: veredas, pág.330


o quereres dá sede:
é sertão.
e de sede se sente a vontade de querer e sentir
o teu calor
que de ti vem em mim pelo olhar.
o sentires é incômodo e provoca
todo o corpo em mim material
que eunuco quando o sentires não há
e onde quero-te presente
tenho ausência
da minh’outra metade desigual
e no escuro sertão que dentro em mim
grita rouco
uiva o animal
que de triste morre até o fim
e enfim reconhece sua dor
que bonita e de flor é o teu cheiro
que tem pele da cor do meu sertão.

o agreste meu peito ele é
e é sendo assim que me vou
no silêncio do mundo que eu sou
que de tanto demais transbordo em mim.

[02-05-08]

Tropicália2

Em 1922 fui concebido
em 1965 ganhei um nome
em 1967 foi parida a alma
em 2007 dei o meu primeiro grito
e a confirmação de que existia.
Esperei 45 anos pra nascer
e mais 40 pra berrar. 22 pra formar o corpo material.
E agora, depois de tanto esperar
será impossível me calar.
por isso continuo a berrar
da beira do mundo porque
deram-me o direito ao grito -
e nisto insisto-.
Assim, vou
sendo marginal. sendo herói
sendo coqueiro. pedrada.
sendo canção que não pára.
cuspe na cara. força.
empurrão. alegria.
arrastão.
TropicáliA.

Ad Aeternum

“Bê, rê, a - Bra
“Zê, i, lê - zil”
verde amarelo cor de fuzil
mundo bala...

Mundo bola de gude
Que cabe dentro dum livro
Perdido no meio do mundo
Partido entre desenvolvidos
E sub-gente árida e
Tropical
Mundo imundo que
Goza da fome
Se veste da negra miséria
E com a boca podre
Cheirando a lixo
Sorri a morte
em seu estado
desnatural
mundo eunuco
meu peito não pára
quando a boca a mão cala
meu canto pedrada
teu talhado de vidro
estilhaça
planalto central
eu vou cobrar
o que é meu de direito
(ah, se eu vou!)
o sol tropical
o sorriso o meneio
o irmão
a paz
do tamanho de um sonho menino
o grito da alma.
o carnaval
Liberdade, Liberdade!
(ad aeternum)
[210508]