segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
fragmentos
O tempo passa e não me leva. Deixa-me aqui, em um tempo-presente cujo futuro nuca vem. Só o enfadonho agora com sua transitoriedade na velocidade de uma luz que não vejo, por isso não me ofusca. O tempo passa e me deixa. Leva só a minha idade, os centímetros de meu corpo. Minha velha identidade, meus dentes de leite e a lembrança do gozo de alimentar-me do leite de minha mãe.
Vivo na expectativa de uma coisa que se define com a palavra que não dá materialidade a coisa alguma. A expectativa do futuro é a mesma que arrumar (-se) a casa esperando por uma visita que não vai chegar. Por isso, tu que me lês, não determino o fim destes escritos, pois arrumei (-me) a casa também. Isto é somente o começo de uma história, a única história de uma vida que foi minha, mas que já perdi há tempos. Tempos tais que lembro bem. Suposto que começar uma e qualquer história pelo início é didaticamente mais correto e ajuda na compreensão, começarei pelo início. Mas, qual é o início? Em que recorte do tempo eu comecei a ser?
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Boca voz verso
em mim atroz
Deságua
Foz
maré cheia- ressaca
engole o mundo
engasga palavra
descabida
vida que se tem arredia
vontade do absurdo
momento
insano de fazer poesia a carne
crua que se mantém viva a alma
errante
passos confusos
pensamentos infindos
problemas não
matemáticos
da vida que é minha por
excelência. Na adição
de subtração dos
valores
fra – ci -
o -
na -
dos
decomponho-me
nas escolhas que não tem raiz
exata
para encontrar
a sintaxe que este
poema – não – poema
está longe de
ter.
[12/09/07]
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
com a história de ontem e do tempo presente minha cabeça aprendeu a falar.
com a plástica-arte-vídeo-instalação-performance-intervenção minhas mãos estão aprendendo a falar.
com o teatro e todo o seu duplo meu corpo aprende a falar.
só então, quando todas as partes de mim aprenderem a falar
aí, sim, Eu por inteiro aprenderei a falar.
ortiz
sábado, 27 de setembro de 2008
indo-americana
Tem em seu umbigo a antropofagia
Que deglute o mundo e grita
De boca vazia, barriga inchada
e corpo subdesenvolvido
reclamando a fome
que ela própria é
[2007]
de conversa estamira cravo e canela
Ele é tão poderoso
Eu sou a beira do mundo
Ao contrário
“...morena quem temperou a cor de canela...”
Não sou feiticeira
Pra variar
É fé
O sistema nervoso
Ainda quer mais
AAAAAAH!
[08/04/08]
sim!
Do cheiro do livro e do mijo
Nasce berrante o meu tropicalismo
E trovão e balbucio e protesto e glauber
E caetano e chico – o carlos – carcará e a gente
Que o estado dá diploma de nada
E o grito calado do oprimido que
Só tem o Deus – ou não, nem isto – e a
Reza que já esqueceu. No
Ouvido a todo vapor – ela – mastiga meu coma
Boca-voz-violão à contra-cultura
Antropofágica eu digo
Sim!
[08/04/08]
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
“O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.” Grande sertão: veredas, pág.330

o quereres dá sede:
é sertão.
e de sede se sente a vontade de querer e sentir
o teu calor
que de ti vem em mim pelo olhar.
o sentires é incômodo e provoca
todo o corpo em mim material
que eunuco quando o sentires não há
e onde quero-te presente
tenho ausência
da minh’outra metade desigual
e no escuro sertão que dentro em mim
grita rouco
uiva o animal
que de triste morre até o fim
e enfim reconhece sua dor
que bonita e de flor é o teu cheiro
que tem pele da cor do meu sertão.
o agreste meu peito ele é
e é sendo assim que me vou
no silêncio do mundo que eu sou
que de tanto demais transbordo em mim.
[02-05-08]
Tropicália2
em 1965 ganhei um nome
em 1967 foi parida a alma
em 2007 dei o meu primeiro grito
e a confirmação de que existia.
Esperei 45 anos pra nascer
e mais 40 pra berrar. 22 pra formar o corpo material.
E agora, depois de tanto esperar
será impossível me calar.
por isso continuo a berrar
da beira do mundo porque
deram-me o direito ao grito -
e nisto insisto-.
Assim, vou
sendo marginal. sendo herói
sendo coqueiro. pedrada.
sendo canção que não pára.
cuspe na cara. força.
empurrão. alegria.
arrastão.
TropicáliA.
Ad Aeternum
“Zê, i, lê - zil”
verde amarelo cor de fuzil
mundo bala...
Mundo bola de gude
Que cabe dentro dum livro
Perdido no meio do mundo
Partido entre desenvolvidos
E sub-gente árida e
Tropical
Mundo imundo que
Goza da fome
Se veste da negra miséria
E com a boca podre
Cheirando a lixo
Sorri a morte
em seu estado
desnatural
mundo eunuco
meu peito não pára
quando a boca a mão cala
meu canto pedrada
teu talhado de vidro
estilhaça
planalto central
eu vou cobrar
o que é meu de direito
(ah, se eu vou!)
o sol tropical
o sorriso o meneio
o irmão
a paz
do tamanho de um sonho menino
o grito da alma.
o carnaval
Liberdade, Liberdade!
(ad aeternum)
[210508]


